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Um
dia para pegar um ônibus sem destino certo.
Para
abolir qualquer relógio, inclusive o relógio-ponto.
Para
dizer - Eu Te Amo - para aquela pessoa que você
adora secretamente, temendo uma rejeição.
Para
fazer de conta que não existe cobrança, culpa ou
medo, em nenhuma forma de manifestação.

Para
não ouvir a voz de um falso deus inclemente que
lhe foi imposto e para constestar as questionáveis
leis dos homens.
Para
reconhecer que você está cansado de ser politicamente
correto, exímio trabalhador, pai ou mãe exemplar,
cidadão ou cidadã de ficha limpa, sem mácula alguma
que lhe possam imputar.

Para
dizer um basta, alto e bom som às pessoas e situações
que por anos a fio, estão a lhe cercear.
Para
não pensar nas contas no fim do mes e nem nos malabarismos
que você faz para prover e pagar.
Para
reconhecer que ter filhos é uma bênção, mas criá-los
a contento, é um oneroso e complicado dever - nossos
filhos não pediram para nascer.

Para
admitir que a vida está passando muito depressa
e que as vêzes você tem muito medo de morrer.
Para
descobrir que você virou um náufrago, meteu-se numa
camisa de onze varas e que, na verdade, não teve
outra escolha, se quisesse sobreviver.
Para
lembrar que há muito tempo você não faz nada que
lhe dá prazer, não porque não queira, mas porque
muito mais alto, lhe fala o dever.

Para
perceber que sua lenda pessoal é incompatível com
os compromissos assumidos e que você não poderá
seguí-la sem que outros venham a sofrer.
Para
chorar por tudo aquilo que você quis que fôsse,
mas que infelizmente não pode ser.
E
se você fizer tudo isto, por certo vão lhe taxar
de louco, mas antes que você enlouqueça de vez,
permita-se um dia de trégua.

Feche
para balanço, passe sua vida a limpo.
Jogue
fora dos arquivos e dos armários internos, tudo
que você puder jogar.
Esvazie-se,
solte-se, aquiete-se e creia ...
é
neste exato momento que a Suprema Força do Universo
poderá lhe ajudar.
No
dia seguinte retome o seu trajeto serenamente, porque
haverá anjos no seu caminhar e a mão amorosa de
Deus a lhe sustentar.

Fátima
Irene Pinto
Autora
do Livro Momentos Catárticos
Descalvado
- S.P.
30.01.02
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