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Um
depoimento
corajoso!
-
Antes
eu
levava
uma
vidinha
pacata.
É
bem
verdade
que
por
natureza,
eu
sempre
fui
caseira,
e
assim
,no
produto
final
da
minha
vida
haviam
as
parcelas
do
trabalho,
filhos,
família,
livros,
música,
filmes,
algumas
breves
viagens
e
minhas
caminhadas
diárias
pelos
campos
da
minha
terra.
Vez
por
outra,
eu
dava
uma
quebra
na
rotina
e
saía
para
dançar.
Tinha
lá
meus
vazios
e
minhas
angústias.
Estes
sentimentos
sempre
foram
minha
marca
registrada,
mas
que
se
agigantam,
quando
atravessamos
a
década
dos
quarenta
a
cinquenta
anos.
Amizades,
poucas.
Nunca
busquei
popularidade,
mas
nunca
abri
mão
de
qualidade
nos
meus
poucos
relacionamentos.
E
assim
era,
até
que
comprei
o
PC.
Comprei
para
meus
filhos,
quem
diria,
e
no
começo
queria
léguas
de
distância
dele
pois
no
trabalho
eu
já
me
aborrecia
bastante
com
as
frequentes
falhas
do
sistema
e
os
problemas
que
vinham
como
decorrência.
Mas
quem
tem
um
Micro
em
casa,
mais
dia
menos
dia
resolve
dar
uma
navegada.
É
como
fumar.
A
primeira
tragada
é
ruim
e
a
gente
se
pergunta
porque
as
pessoas
fumam.
Aí
experimentamos
outro
cigarro
e
quando
vemos
o
maço
se
tornou
nosso
companheiro
inseparável.
O
mesmo
posso
dizer
do
Micro.
Mas
acontece
que
este
inexplicável
aparelho
me
descortinou
um
horizonte
cuja
grandeza
eu
ainda
não consigo
mensurar.
Fiz
amizades
que
me
são
tão
caras
e
valiosas
como
as
da
minha
vida
real.
Antes,
o
que
eram
eventuais
rascunhos
que
eu
sempre
acabava
jogando
no
lixo
a
cada
faxina,
tornaram-se
hoje
textos
e
poemas
carinhosamente
abrigados
pelos
Sites
que
editam
para
mim,
levando
meu trabalho
para
milhares
de
pessoas.
Em
prazo
de
um
ano
escrevi
e
publiquei
um
livro
e
outro
já
está
a
caminho,
aguardando
a
hora
certa
para
chegar
na
Editora
ou
quem
sabe,
virar
um
CD.
Conheci
verdadeiras
almas
gêmeas
,
algumas
promissoras
e
outras,
impostoras,
como
diz
um
poema
que
cá
chegou
sem
autoria...
mas
nunca
me
lembro
de
ter
amado
tanto
e
tão
intensamente,
em
tão
exíguo
espaço
de
tempo.
É
como
se
a
vida
tivesse
acelerado
sua
frequência
à
velocidade
da
luz...
um
torvelinho...um
turbilhão!
Nunca vivi
tantas
e
tão
arrebatadoras
emoções.
Em
frente
à
tela
deste
pequeno
monitor
,
tenho
derramado
lágrimas
verdadeiras
como
poucas
vêzes
derramei
na
vida
real.
Lágrimas
de
alegria,
de
êxtase,
de
saudade,
de
emoção,
e
porque
não
dizer,
de
profunda
comunhão
com
o
outro
ser,
na
outra
ponta
da
linha.
Por
esta
telinha
mágica
chegam
imagens
celestiais
que
enchem
meus
olhos,
músicas
que
me
atordoam
pela
beleza
e
pela
cadência,
textos
para
profunda
reflexão,
poesias
dos
imortais
e
poesias
de
ilustres
desconhecidos,
que
as
vêzes
se
imortalizam
através
de
um
único
e
memorável
poema.
E
assim,
sem
que
eu
percebesse,
o
PC
foi
ficando
espaçoso
demais
na
minha
vida,
a
ponto
de
tomar
conta
de
todo
o
meu
tempo
disponível.
Eu
me
questiono
muito
e
talvez
outros
poetas
e
poetisas
internautas
também
se
questionem,
sobre
até
que
ponto
não
estamos
invertendo
a
ordem
natural
da
própria
vida,
nesta
troca
do
virtual
pelo
real.
Existem
sequelas
negativas
e
não
temo
enumerá-las:
-
Já
não
dou
a
mesma
atenção
de
antes
para
a
minha
família
e
para
meus
amigos
e
amigas
reais.
-
Meu
trabalho
já
não
é
o
foco
de
todas
as
minhas
atenções,
muito
embora
eu
nada
tenha
perdido
em
eficiência.
-
Livros,
TV,
filmes,
viagens?
Raramente
ou
quase
nunca.
-
Meus
instrumentos
(
teclado
e
violão)jazem
esquecidos
em
seus
cantos
e
quando
os
retomo,
percebo
que
estou
perdendo
a
destreza.
-
Ambições
materiais,
como,
trocar
o
carro
pelo
modelo
do
ano,
reformas
e
benfeitorias
na
casa,
mudanças
na
decoração
que
sempre
me
motivaram,
hoje
estão
lá
embaixo
na
ordem
das
minhas
prioridades.
-
Eu
que
não
passava
uma
semana
sem
fazer
as
unhas,
tres
meses
sem
procurar
um
bom
cabeleireiro,
seis
meses
sem
inovar
o
guarda-roupas,
calçados
e
acessórios,
dou-me
conta
que
estou
usando
as
mesmas
roupas
de
dois
anos
atrás,
afora
ter
dispensado
os
dedos
cheios
de
anéis,
os
brincos,
os
colares
que
eu
escolhia
com
esmero,
combinando
com
cada
traje
que
eu
usava.
Realmente
...
eu
mudei
muito
depois
que
me
casei
com
o
PC
e
me
pus
a
escrever.
Tudo
isto
será
bom
ou
ruim?
Esta
troca
é
construtiva
ou
destrutiva?
Confesso
que
não
sei.
Talvez
seja
apenas
mais
uma
fase
da
vida,
mas
quando
olho
o
mundo
lá
fora
ele
me
parece
tão
sem
atrativos.
E
ainda
que
minha
vista
esteja
péssima ,
minha
coluna
mais
torta
do
que
já
era
e
meus
pulmões
escuros
de
nicotina,
tudo
que
eu
sei
é
que,
neste
momento
minha
mente
e boa
parte
do
meu coração
estão
inteirinhos
dentro
deste
micro,
espelhados
na
pequena
tela
deste
monitor.
Será
que
a
resposta
não
estaria
na
pergunta
que
meus
filhos
vez
por
outra
me
fazem?
-
MAMÃE,
VOCÊ
NÃO
PODERIA
VOLTAR
A
SER
COMO
ERA
ANTES???
E
eu
fico
completamente
perdida
diante
desta
pergunta,
porque
tenho
a
impressão
de
que
nunca
estive
tão
plena!!!
ou talvez,
TÃO EQUIVOCADAMENTE
FELIZ!!!
E
já
que
tudo
nesta
vida
tem
um
preço,
não
seria
este
o
dízimo
a
ser
pago,pela
possibilidade
de
que
daqui
há
muitos
e
muitos
anos,
alguém
leia
um
único
poema
meu,
que
seja
grandioso
o
bastante
para
resistir
ao
tempo
e
distinguir-me
entre
os
imortais?
Não há
vaidade,
e
nem
logro
esta
ventura.
Mas
quando
sento
aqui
e
me
ponho
a
digitar
neste
PC
é
como
se
eu
me
encontrasse
com
o
próprio
Deus
que
me
criou,
que
botou
ferramentes
em
minhas
mãos
e
agora
me
exorta
de
forma
quase
compulsiva,
a
escrever,
escrever
e
escrever
.