Páscoa:
definições e simbolismos
Festa da ressurreição
de Jesus Cristo. Festa da libertação dos hebreus da
escravidão do Egito. Momento de fixar-se na mensagem
da ressurreição como prova da imortalidade da alma.
Estas são as principais definições encontradas para
responder as indagações sobre o que representa a Páscoa
para as diferentes religiões.
Para os cristãos,
a Páscoa é uma festa que celebra a ressurreição de Jesus
Cristo. Depois da morte na cruz, seu corpo foi colocado
em um sepulcro, onde ali permaneceu até a ressurreição,
quando seu espírito e seu corpo foram unificados.
Na Igreja Católica
a Páscoa está centrada na figura de Jesus Cristo, sendo
celebrada na passagem do sábado para o domingo quando
os católicos celebram a passagem de Jesus pelo mundo
e a sua passagem da morte para a vida. De acordo com
o padre Sabino Gentili, pároco da Capela de Nossa Senhora
da Conceição, Mãe Luiza, a Páscoa acontece com a celebração
da cerimônia realizada no sábado à noite, sábado da
aleluia, em que se faz uma lembrança da salvação de
Jesus e que envolve três passagens: a passagem do homem
do barro para a vida; a passagem da escravidão para
a liberdade, e, por último, a passagem de Jesus da morte
para a vida. Na cerimônia são realizados gestos simbólicos
como a bênção do fogo, que lembra o Espírito Santo,
da vela (Círio Pascal), apresentando cinco cravos que
representam as cinco chagas de Cristo nas mãos, nos
pés e no peito, a bênção da água, que significa a renovação
das promessas do batismo e do barro, simbolizando os
princípios básicos da vida. Além destes símbolos, do
pão e do vinho, que são o corpo e o sangue de Jesus
Cristo, do cordeiro que representa o filho amado de
Deus sacrificado como um cordeiro para tirar o pecado
dos homens e do mundo, da cruz, símbolo da fé católica
que congrega tanto a idéia de sofrimento como de ressurreição
de Jesus, do peixe, que substitui a carne por não ter
sangue como sinal de penitência, outros símbolos foram
acrescentados por outros povos à tradição do período
pascal, como o coelho e os ovos da páscoa que estão
associados a fertilidade, nascimento e vida. “O ovo
também pode ser associado a uma surpresa boa”, diz padre
Sabino.
Evangélicos celebram a Ceia do Senhor
Diferente do modo como os católicos, que celebram o
ato sacrificial de Jesus Cristo uma vez por ano, os
evangélicos celebram-no mensalmente numa solenidade
chamada de Ceia do Senhor quando todos os membros celebram
o pão e o vinho e utilizam as mesmas palavras usadas
pelo Senhor na noite em que realizou a Última Ceia com
seus discípulos. “Antes de cada Ceia, realizada durante
um dia da primeira semana de cada mês, fazemos uma reflexão
sobre o sacrifício do Senhor e em seguida tomamos o
vinho e comemos o pão”, diz o Pastor José Ilmar Ferreira,
da Assembléia de Deus do conjunto Gramoré. Para ele,
o sacrifício do Senhor não deve ser visto como um espetáculo
de emoção e, sim, como o significado da remissão dos
pecados dos homens. Ele explica que os evangélicos somente
valorizam a simbologia manifestada na Bíblia, o pão
e o vinho, e acredita que toda a festividade em torno
deste período está relacionada ao comércio. “Na Páscoa
celebrada pelos judeus não existiam estas coisas, nem
na celebrada pelo Senhor. Há uma manifestação contrária
a tudo o que vem de Deus. São usados os coelhos, ovos,
bebidas para que seja desviada a atenção das pessoas
e não haja uma aproximação do sentido da vida religiosa”.
Para os Judeus,
é a festa da libertação
A Páscoa judaica começa no dia 15 de Nissan, e dura
oito dias. Para os judeus é a festa da libertação de
Israel da escravidão egípcia. De acordo com o judeu
João Medeiros a Páscoa é o período em que são celebradas
duas passagens: a do Anjo da Morte que poupou os primogênitos
dos filhos de Israel, e não os dos egípcios, sendo considerada
a décima e última praga do Egito; e a travessia do Mar
Vermelho, que foi aberto milagrosamente para a passagem
dos judeus, que se libertavam da escravidão egípcia.
“Esta não é uma celebração da sinagoga, é uma celebração
da família realizada em casa numa mesa onde se encontram
vários elementos significativos, como o pão ázimo (sem
fermento), o vinho kasher ritualmente aprovado, ervas
amargas, que relembram a amargura da escravidão”. Antes
da ceia a dona-de-casa faz a bênção de duas velas, em
seguida, há um relato. A Páscoa foi celebrada por Moisés
um ano após a saída dos judeus do Egito. Segundo João
Medeiros a partir daí tornou-se símbolo para o seu povo
e somente treze séculos depois, com a crucificação de
um judeu pelos romanos na véspera de uma páscoa, os
cristãos começaram a celebrá-la. “A Páscoa é judaica.
A Igreja usurpou de nosso povo, assim como nos obrigaram
a sermos cristãos”.
Para os Espíritas,
é o momento da reflexão...
Para os adeptos do espiritismo o período pascal, embora
não seja celebrado externamente com rituais e simbologias
como em outras religiões, é uma época em que se procura
fixar mais na mensagem da “ressurreição”, que comprova
a imortalidade da alma. Segundo a presidente da Federação
Espírita do Rio Grande do Norte, Sandra Borba, este
é o período ideal para que as pessoas se entendam como
espíritos imortais. “ A ressurreição de Jesus é a prova
da imortalidade da alma”. Ela explica que os espíritas
respeitam a maneira como outras religiões celebram o
período pascal e relembram o sofrimento do Senhor, mas
procuram se concentrar na mensagem que a vida do Senhor
representa: a revolução do amor e o convite ao processo
de renovação espiritual. “É sempre importante celebrar
a vida de Jesus e seus ensinamentos, mas para nós, a
melhor maneira de respondermos ao sofrimento de Jesus
Cristo é realizando em nós mesmos um processo de renovação,
de reforma íntima, para que possamos encontrar o melhor
jeito de sermos e para que possamos viver em fraternidade,
de acordo com o ideal do espiritismo que é o ideal da
luz, da bondade e da fraternidade. Isso não podemos
esquecer jamais. A fraternidade ”, diz Sandra Borba
.
Tribuna
do Norte, Natal, 11/04/04
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