Infância

A
lenda do nascimento de João
Paulo II
Segundo
se conta, não houve dor. No
momento do parto, a mãe pediu
à parteira que abrisse a janela
para que os primeiros sons
que seu filho recém-nascido
ouvisse fossem o canto em
honra de Maria, Mãe de Deus.
E assim a parteira saltou
do pé da cama para a janela
e escancarou as persianas.
De repente o quarto se encheu
de luz e do entoar das vésperas
de maio em honra da Santa
Virgem, vindo da Igreja Nossa
Senhora, no próprio mês a
ela dedicado. Dessa forma,
os primeiros sons ouvidos
pelo futuro papa, João Paulo
II, foram cânticos entoados
a Maria, da igreja paroquial
que ficava bem do outro lado
da rua da casa onde nasceu,
num modesto sobrado cujos
proprietários eram judeus,
na cidadezinha de Vadovice,
na Galícia.
Essa foi a história contada
pelo velho Papa em pessoa,
enquanto caminhava pelos jardins
do Vaticano no seu septuagésimo
ano de vida, contemplando
o arco descrito por sua vida
notável e descrevendo essa
grande dádiva de sua própria
mãe martirizada. Trecho do
livro Sua Santidade, João
Paulo II e a história oculta
de nosso tempo, de Carl Bernstein
e Marco Politi.
Karol Wojtyla nasceu no dia
18 de maio de 1920.
Sua mãe, Emília, tinha a saúde
debilitada, mas o mimava muito.
Às vezes ela o chamava de
Lolek e outras de Lolus (Carlinhos).
Seu pai, também chamado Karol,
era um tenente do exército
polonês e sempre ajudou na
criação dos filhos. Karol
tinha, também, um irmão mais
velho chamado Edmund e por
quem tinha grande admiração.
Teve uma irmã que morreu com
apenas alguns dias de vida.
Juventude
Antes
de completar 21 anos, já tinha
perdido toda sua família:
sua mãe morrera quando ele
tinha 9 anos; o irmão morreu
pouco tempo depois e em 1941,
veio a falecer seu pai, em
um dos mais rigorosos invernos
da Polônia.
Lolek foi criado pelo pai,
um homem rígido, que educou
o filho de acordo com a disciplina
militar.
Trabalhou de pedreiro e fez
parte do teatro Rapsódico,
companhia que durante a segunda
Guerra Mundial foi perseguida
pelos nazistas. Colaborou
intensamente na resistência
dos poloneses contra os invasores
nazistas. Gostava de escalar
montanhas, fazer excursões,
nadar e caminhar pelo bosque.
Foi o melhor aluno das escolas
e universidades por onde passou
- falava alemão, latim e grego.
Era excelente jogador de futebol
e arriscava-se sempre como
goleiro de um time de judeus.
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Padre
Karol Wojtyla
O arcebispo de Cracóvia, Dom
Sapieha, ordenou Karol presbítero
no dia primeiro de novembro
de 1946. Pe. Karol celebrou
sua primeira missa na igreja
de sua paróquia, junto ao
altar de Maria Auxiliadora,
onde, anos antes, rezando,
amadurecera sua vocação.
Karol virou padre aos 26 anos,
arcebispo aos 43 e cardeal
aos 46.
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Habemus
papam!
João Paulo I, o antecessor
de João Paulo II, morreu de
enfarto agudo do miocárdio
antes de completar 34 dias
de pontificado, em 28 de setembro
de 1978. O conclave (colégio
de cardeais responsável pela
escolha do próximo Papa) o
elegeu três dias depois de
iniciado.
Todos esperavam um italiano
(foi o primeiro papa não-italiano
desde 1522), mas receberam
o polonês Karol Wojtyla, então
com 58 anos e que escolheu
o nome João Paulo II para
homenagear seu antecessor.
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Difundindo
a Fé
João
Paulo II foi o papa que mais
realizou viagens e, desde
1978, visitou 123 países,
o equivalente a 1,2 milhões
de quilômetros percorridos.
Ao se tornar papa, ele avisou
que levaria a religião aos
quatro cantos do mundo. O
beijo no solo é um gesto que
o papa usa para abençoar o
local e nenhum outro papa
beijou tantos solos quanto
João Paulo II. Segundo reza
o rito da Igreja, um papa
só deve beijar uma vez um
país, mas João Paulo II quebrou
a tradição e beijou duas vezes
o solo brasileiro. João de
Deus, como é chamado pelos
brasileiros esteve no Brasil
por 3 vezes - 1980, 1991 e
1997.
"Senti-me no dever de imitar
o apóstolo Pedro, que visitava
todos, para confirmar e consolidar
a vitalidade da Igreja, na
fidelidade da Palavra e a
serviço da verdade; para dizer
a todos que Deus os ama, que
a Igreja os ama; e para receber
deles o encorajamento e o
exemplo da sua bondade, da
sua fé".
Sua viagem mais famosa
ocorreu no Santuário de Fátima,
em Portugal, em 13 de maio
de 2000. Naquele sábado, a
Igreja Católica surpreendeu
o mundo ao anunciar a Terceira
Revelação de Fátima.
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O
atentado e o 3º segredo de
Fátima
João Paulo II sofreu um atentado
na tarde de 13 de maio de
1981. No meio da Praça de
São Pedro, no Vaticano, o
turco Mohemed Ali Agca disparou
três vezes contra o Papa.
As balas o atingiram no abdômen
e no braço, e uma multidão
de pessoas presenciou o incidente.
O terrorista foi condenado
a prisão perpétua, porém,
2 anos depois do atentado,
João Paulo II foi visitá-lo
na cadeia e perdoou-o. Agca
recebeu anistia no ano de
2000 e foi extraditado para
a Turquia onde cumpre pena
pelo assassinato de um jornalista,
em 1978.
Em 13 de maio de 2000, a Igreja
surpreendeu o mundo revelando
o terceiro segredo de Fátima,
que em 1917 teria aparecido
para três crianças em Portugal.
Segundo análise do vaticano,
o terceiro segredo estaria
ligado ao atentado contra
o Papa. Curiosamente, os tiros
contra o Papa foram disparados
também no dia 13 de maio (1981).
Conforme divulgou o secretário
de Estado do Vaticano, o terceiro
mistério anunciado pela Virgem
aos pastores era a imagem
de um bispo vestido de branco
que caminhava entre os corpos
de mártires caídos ao chão,
aparentemente mortos, sob
uma chuva de disparos. A Praça
de São Pedro é rodeada de
imagens de santos e mártires.
A revelação do mistério encerrou
décadas de suposições, muitas
delas relacionando o segredo
a profecias apocalípticas
como o fim do mundo.
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Papa
Ecumênico
"O papa João Paulo II levou
duzentos outros líderes religiosos
a Assis, a cidade natal de
são Francisco, para um dia
de orações pela paz. Cardeais
católicos romanos, imãs muçulmanos,
rabinos judeus, monges budistas,
sikhs, bahais, hindus, jainistas,
zoroastristas e membros de
religiões tradicionais africanas
estiveram entre aqueles que
se reuniram para a oração.
O papa queria que o dia de
oração reforçasse sua mensagem
após os ataques de 11 de setembro
de 2001: que a religião não
deve ser um motivo para conflitos
no século XXI."
João Paulo II defende a aproximação
entre católicos e muçulmanos,
ou seja, entre todos os homens
independentemente das suas
crenças.
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Mal
de Parkinson
Em janeiro de 2001, foi confirmado
que o Papa sofre de Mal de
Parkinson. Pela primeira vez
na história um médico da equipe
papal citou o nome da doença
que atinge o homem forte do
Vaticano. O Vaticano nunca
reconheceu que João Paulo
II sofre do mal de Parkinson,
apesar do polonês de 80 anos
apresentar fortes tremores
na mão direita desde o início
dos anos 90. O Mal de Parkinson
é uma doença neurológica que
avança devagar até atingir
todo o corpo, causando tremores
nos braços, nas pernas e,
por fim, na cabeça. Os sintomas
podem ser controlados por
medicamentos, mas a cura da
doença não existe.
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A
Ditadura e a Pobreza
Era ocasião para descobrir
na extrema pobreza - na qual
se encontram as crianças golpeadas
pela fome antes de nascer,
os jovens desorientados por
não encontrar um lugar na
sociedade, os indígenas e
os afro-americanos que vivem
segregados e em situações
desumanas, os camponeses que
em quase todo continente estão
submetidos à dependência,
os operários, os subempregados
e os desempregados, os marginalizados
e os velhos - o rosto sofredor
de Cristo, o Senhor que interpela.
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O
mendigo que confessou ao João
Paulo II
Um sacerdote norte americano
da diocese de Nova York se
dispunha a rezar em uma das
paróquias Roma quando, ao
entrar, se encontrou com um
mendigo. Depois de observá-lo
durante um momento, o sacerdote
se deu conta de que conhecia
aquele homem. Era um companheiro
do seminário, ordenado sacerdote
no mesmo dia que ele. Agora
mendigava pelas ruas.
O padre, depois de identificar-se
e cumprimentá-lo, escutou
dos lábios do mendigo como
tinha perdido sua fé e sua
vocação. Ficou profundamente
estremecido. No dia seguinte
o sacerdote vindo de Nova
York tinha a oportunidade
de assistir à Missa privada
do Papa e poderia cumprimentá-lo
no final da celebração, como
é de costume. Ao chegar sua
vez sentiu o impulso de ajoelhar-se
frente ao Santo Padre e pedir
que rezasse por seu antigo
companheiro de seminário,
e descreveu brevemente a situação
ao Papa.
Um dia depois recebeu o convite
do Vaticano para cear com
o Papa, e que levasse consigo
o mendigo da paróquia. O sacerdote
voltou à paróquia e comentou
a seu amigo o desejo do Papa.
Uma vez convencido o mendigo,
o levou a seu lugar de hospedagem,
ofereceu-lhe roupa e a oportunidade
de assear-se.
O Pontífice, depois da ceia,
indicou ao sacerdote que os
deixasse a sós, e pediu ao
mendigo que escutasse sua
confissão. O homem, impressionado,
respondeu-lhes que já não
era sacerdote, ao que o Papa
respondeu: " uma vez sacerdote,
sacerdote para sempre". "Mas
estou fora de minhas faculdades
de presbítero", insistiu o
mendigo. "Eu sou o Bispo de
Roma, posso me encarregar
disso", disse o Papa.
O homem escutou a confissão
do Santo Padre e pediu-lhe
que por sua vez escutasse
sua própria confissão. Depois
dela chorou amargamente. Ao
final João Paulo II lhe perguntou
em que paróquia tinha estado
mendigando, e o designou assistente
do pároco da mesma, e encarregado
da atenção aos mendigos.
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Religião
e Política
Ao trabalhar pela queda do
Muro de Berlim e o conseqüente
desmantelamento do mundo comunista,
as ações do papa e de seus
colaboradores diretos contribuíram
para a destruição de sentidos
existenciais, razão pela qual
dizia acima que para uma geração
o sonho de ver a política
irmanada com a religião na
defesa dos pobres precisou
ancorar-se na fé de que o
evangelho de Jesus é superior
aos meios e instrumentos utilizados
para anunciá-lo. Enquanto
a maioria dos seus antecessores
se confinou ao Vaticano, João
Paulo II tornou-se num Papa
do Mundo, aquele que mais
viajou ao longo da História.
Nas suas inúmeras viagens
alertou para os perigos da
guerra química, do uso das
armas nucleares e da intolerância
racial e religiosa.
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Um
Papa Moderno
Apesar de ser considerado
um papa moderno, que busca
o diálogo com diferentes religiões
e com o povo, João Paulo II
é radicalmente contra métodos
anticoncepcionais e ao uso
de preservativos. Também é
contra o sacerdócio de mulheres
e defende o celibato dos padres.
A imagem de rigor moral e
disciplina de vida que o Papa
procurou veicular ao defender
todas estas posições viu-se
fortemente maculada pelos
inúmeros escândalos sexuais
que alastram em todas as latitudes.
A Igreja católica dos EUA
foi uma das mais duramente
atingidas pela denúncia de
casos de pederastia e assédio
sexual. Para cúmulo, nem mesmo
o seu grupo de auxiliares
pessoais escapou à verdadeira
maré de descrédito que varre
a Igreja. O arcebispo de Poznan,
Juliusz Paetz, auxiliar pessoal
de João Paulo II, resignou
este ano depois de ser acusado
de assediar sexualmente seminaristas
e padres.
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Museu
do Holocausto
A peregrinação do papa à Terra
Santa teve em 23 de março
de 2000 seu ponto culminante,
para judeus e israelenses,
com a visita de João Paulo
II ao monumento dedicado à
memória das vítimas do Holocausto,
o Yad Vashem, e um encontro
com sobreviventes dos campos
de extermínio nazistas.
Num clima de forte emoção
e solenidade, o papa lamentou
"a terrível tragédia", sem,
no entanto, conseguir uma
aprovação total da comunidade
judaica, que se dividiu entre
a aprovação da atitude do
pontífice e críticas por não
mencionar o silêncio da Igreja
católica durante o extermínio
de 6 milhões de judeus.
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O
Ídolo dos Jovens
João Paulo II iniciou
as comemorações do Dia Mundial
da Juventude em 1985, em Roma,
num encontro com 200 mil pessoas.
De lá para cá, outros encontros
já foram realizados na Argentina,
Espanha, Polônia, Estados
Unidos, Filipinas e França.
O maior deles foi o das Filipinas,
em 1995, com 4 milhões de
participantes.
Os jovens de todas as nações
responderam ao apelo do Santo
Padre, o que representa para
o futuro da Igreja uma imensa
esperança. Sua presença é
também uma resposta imediata
a todos aqueles que anunciam
a morte do catolicismo.
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Novo
Rosário
O Papa celebrou o 24º
ano de seu Pontificado alterando
o rosário, a oração mais comum
entre os católicos, pela primeira
vez em nove séculos. João
Paulo II chamou de luminosos
os novos mistérios. Eles propõem
uma reflexão sobre a vida
pública de Jesus e a sugestão
da Igreja é que você escolha
a quinta-feira para meditar
sobre eles. Veja como rezar
o Terço aqui.
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25
anos de Pontificado
Somente 12 papas na História
da humanidade, de um total
de 264, reinaram mais tempo
do que João Paulo II. O recorde
absoluto é de São Pedro, o
primeiro papa, que teve um
pontificado de entre 34 e
37 anos - não há dados exatos
para confirmar a data precisa.
Em 24 anos de pontificado,
João Paulo II já beatificou
1303 pessoas e proclamou 465
santos.
No próximo mês de setembro
de 2003, aos 83 anos,
o Papa completará 25 anos
em sua luta pelo crescimento
da Religião Católica no mundo.

A
Morte
O papa João Paulo II morreu
de choque séptico e de falência
cardíaca, segundo o atestado
de óbito assinado pelo médico
pessoal do pontífice. "Eu
certifico que sua Santidade
João Paulo II morreu às 21h37
(horário local, 16h37 no horário
de Brasília) de 2 de abril
de 2005, em seu apartamento
no Palácio Apostólico do Vaticano,
de choque séptico e falência
cardiocirculatória irreversível'',
informou o atestado. Por sua
própria decisão, seu corpo
não foi embalsamado. E sobre
seu funeral, deixou a seguinte
instrução: "Repito a mesma
ordem dada pelo Santo Padre
Paulo VI: enterro em terra
nua, não em um sarcófago".
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